Parece que ainda ontem me encontrava a entrar no avião em Praga rumo a Portugal. Parece que ainda há instantes escrevia num documento Word tal como este, um texto onde expressava os meus sentimentos e espectativas após quase 5 meses sem vir ao meu país de origem após o começo de Erasmus. No entanto, aqui estou de novo. Pouco depois, sentada de novo num aeroporto à espera do embarque. O lema da ANA (Aeroportos de Portugal) agora é, “O tempo voa”. E os alunos erasmus sabem disso melhor do que ninguém. Cheguei para ficar 24 dias e estes passaram num ápice.
Sinceramente não sei se foi suficiente. Encontro-me numa fase de divisão terrivel. Divisão quanto ao coração e sentimentos devo dizê-lo. O meu lado mais racional diz-me que a terra mais próspera e onde o futuro me sorri é sem dúvida Praga.
Foi muito bom voltar a Portugal e ver que muita coisa mudou. Voltar ao Algarve e a Quarteira e ver as novas lojas, edifícios, etc. Mas isto vê-se durante uma semana. O tempo não foi definitivamente suficiente para estar com todas as pessoas que queria ou, por exemplo, matar saudades do meu cão. É muito boa a sensação de voltar a dormir na minha cama de sempre, de voltar a ligar o meu velho computador que funciona melhor que nunca, de passear na praia com o meu companheiro de sempre – o Thor. Bom mas para isto, não o suficiente. Parece que afinal, sempre existem pequenas coisas que nos prendem ao nosso lugar de origem sempre que temos boas recordações e experiências do mesmo.
O saldo desta estadia é muito positivo. Fui operada na segunda semana após a minha chegada, e passei 5 dias em casa a recuperar, só a desfrutar do conforto da casa onde cresci e a única que conheci – Quinta da Sara! – e dos mimos da família e da companhia dos meus animais. Ao fim e ao cabo, a recuperação foi uma boa desculpa para simplesmente ficar em casa dia após dia, sem sair, a ouvir a som no telhado da casa, e a ver e ouvir o relampejar e trovejar fora da janela da minha sala, da qual acho que é a vista para o mundo, a alma da casa. Os dias em que fiquei em casa a recoperar, foram dias muito chovosos e até mesmo de tempestade. O país já não recebia tanta água dos céus há cerca de 40 anos – é de lembrar os enormes problemas que Portugal tem com as secas. E como adoro ficar em casa e olhar o mau tempo lá fora. Até porque se estivessem dias bonitos seria injusto e desajustado ao meu estado enfermo.
Ficar em casa e ver televisão portuguesa foi delicioso por uma semana, mas bastou-me. Existem muitos anúncios novos na TV e via cerca de no mínimo 4 novelas por dia. Em 2 ou 3 dias já estava informada dos enredos e personagens todas. Confesso! Que saudades que eu sentia de uma boa brasileirada! Agora só posso acompanhar o desenrolar das tramas lendo os sumários on-line na internet.
Sei que uma outra nova fase da minha vida está a começar. Embora o país e a cidade sejam os mesmos, nos desafios e pessoas serão outros. Uma nova realidade espera-me: segundo semestre, novas aulas, novos ERASMUS colegas e fundamentalmente, o meu estágio. Finalmente, decidi que o melhor local para o fazer seria no Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões em Praga. Durante pelo menos os próximos três meses, esta seria a minha casa diária onde passaria os meus dias.
Praga, preparada ou não, aqui vou eu para mais uma série de novas aventuras.