O mês de Janeiro foi incrivelmente agitado. Não só pelo que já contei sobre a sua primeira quinzena, mas pelo que se seguiu. Estando em Praga há quase quatro meses, entristecia-me pensar que durante esse tempo apenas tenha tirado 4 dias para visitar Budapeste. Afinal de contas, um dos grandes projectos a curto-prazo tinha planeado ainda em Portugal, era o de tirar partido do facto de estar num país tão central como a República Checa. Ainda a trabalhar durante o verão, recordo-me, gastei algum dinheiro em guias para grandes cidades europeias. De Praga pode-se descobrir praticamente toda a Europa a partir de 40€ ida e volta para todas as capitais europeias.
Uma vez acabados todos os exames graças à minha óptima organização, já a 10 de Janeiro estava livre para pensar e organizar uma escapadela. Foi assim que surgiu esta minha viagem a Viena durante 3 dias. O bilhete te autocarro Praga-Viena Viena-Praga custou-me exactamente 10€ e cada viagem contou com 7h com escala em Brno, a segunda maior cidade checa logo após Praga. A Student Agency é a companhia que monopoliza praticamente todos os destinos mas nem por isso tem preços exacerbantes. Antes pelo contrário. Os preços são muito em conta e é sem dúvida quase sempre a forma mais barata de viajar. É confortável, tem qualidade e segurança. É muito mais barata e segura do que comboios. A alternativa é, por vezes, de avião mas só contado com promoçóes ou comprando os bilhetes com muito tempo de antecedência.
A minha aventura pela Áustria começa a 19 de Janeiro de 2008. O autocarro saiu de Praga por volta das 10.30 pelo que cheguei a Viena pelas 13h. E cheguei quase 30 minutos mais cedo do que o previsto. A primeira coisa que notei após abandonar o autocarro foi o vento. Em Praga raramente se sente um vento forte. E em Viena um vento bem chato e frenco fez questão de ficar durante os dias em que lá estive para me receber.
Um aspecto especial sobre esta viagem foi o de que utilizei o CouchSurfing pela primeira vez como Guest. Isto significa, que até home hospedei pessoas em minha casa em Portugal. Pessoas que passavam pelo Algarve e que me pediam para pernoitar algumas noites na minha casa e com quem passeei e mostrei a minha terra. Desta vez, pela primeira vez, em Viena fiquei com dois CouchSurfers: Thomas, o embaixador para Viena e Flo, um Vienense muito especial com o Português mais doce que já ouvi!
Com isto, telefono ao Thomas – com quem fiquei primeiro – para me vir buscar a Praterstern, estação de metro onde me encontrava após sair do autocarro, à qual ele chegou 15 minutos mais tarde. Seguimos para a sua casa onde descarreguei a minha mala e conversamos umas duas horas. Thomas é uma das pessoas mais organizadas que já conheci até hoje. A sua casa brilhava e tudo estava disposto meticulosamente. Nada falhava. Sinceramente, no início até tinha medo de desfazer a mala, desarrumar alguma coisa, deixar a escova e a pasta de dentes esquecidas na casa de banho, não descarregar a água da sanita, etc. Logo me apercebi que isto não deveria ser encarado como um defeito mas um feitio. Thomas estava a começar a ficar doente e lá fora o vento fresco e forte não estava para brincadeiras por isso decidimos não arriscar. Ele ficava no resguardo da casa e eu ia-me aventurar pela primeira vez já na escuridão da noite pelas ruas de Viena. Estava em pulgas, já não podia esperar mais. Após 5 minutos na Internet combinei jantar com um Italiano que trabalha agora em Viena, um Brasileiro que está por lá a fazer uma investigação e a sua namorada, uma áustriaca muito simpática. Combinamos encontrar-nos no ponto mais central de Viena: no Stephansplatz pelas 20h. Até lá escolhi sair em Volkstheater e pelo caminho visitar o Volkstheater, MuseumsQuartier, Museu de História Natural e o Museu Kunsthistorisches, subindo pela Maria TheresiaPlatz e HeldenPlatz até ao incrível Palácio Hofburg até à lindissima Karntner e Graben até ao Stephandom pelo qual fiquei de boca aberta pela sua beleza.
Não posso deixar de referir que ao chegar a Stephansplatz a minha atenção foi automaticamente desviada para um grupo de activistas que em plena praça e à saída do metro mostravam numa banca um video projectado com a forma como vacas, ovelhas, cabras e outros animais eram mortos para o consumo da sua carne. Imagens chocantes e violentas com o som no máximo onde se podiam ouvir os gemidos de dor e agonia por toda a área. O pior, é que deveria ainda aguardar uma hora por perto até à chegada dos outros. Agoniada decidi ainda ir dar uma volta pelas lojas de souvenirs onde comprei o tradicional saco com o nome da cidade, os quais decidi colectionar embora ainda só tenha três – Praga, Budapeste e Viena – e comprar uns 6 postais, 3 para enviar e 3 para mim de recordação. Não haviam quase nenhumas lojas de souvenirs e nada de interessante nessas lojas. Apenas montanhas de chocolates que convenhamos: não é um souvenir muito duradouro e para manter. Chocolates Mozart, Sissi, Shoubert, etc.
Comprei selos e escrevi os meus 3 postais sentada num dos banquinhos da Rua Kerntner. Enorme, iluminada e com todos os tipos de lojas e artistas. 3 pessoas tocavam violinos e um outro “tocava copos”, com um estranho sistema mas que funcionava na perfeição e com uma melodia lindissima de música classica. Com isto batem as 20h e dirijo-me de novo para o local combinado. Pode depois chega o italiano e aguardamos um pouco mais pelo Brasileiro com a sua namorada. Todos reunidos seguimos para um restaurante italiano – sugestão de Giogio, claramente o italiano do grupo. Todos são muito gentis comigo e temos um óptimo serão. Antes e depois do jantar passeamos um pouco. Sandra, a austriava mostra-me um museu que ao tocarmos nas paredes produzimos música. Cada pedra tem um som diferente – ou não estivessemos nós em Viena. Este museio fica na famosa praça onde durante os meses mais quentes são colocados uns enormes bancos onde as pessoas podem sentar-te ou deitar-se e ler, conviver, apanhar sol, etc. Muito popular entre a juventude e os viajantes. Durante os meses mais frio de inverno, estes enormes bancos estão dispostos de forma a criar uma “obra de arte” dispostos de diferente forma na praça. Arte e utilidade para os meses de verão e de inverno: versatilidade a 100%.
Chegados ao restaurante italiano pensei que iria pagar mundos e fundos pela comida mas após ver o menu entendi que era até um sitio económico tendo em conta que me encontrava em Viena. Viena é indiscutivelmente cara. Pedi uma pizza e fui surpreendida por este novo método: após indicar a pizza desejava foi-me entregue um comando. Explicaram-me mais tarde, que quando a pizza estiver pronta o comando vibra e luzes vermelhas começam a piscar. Genial pensei eu. E assim foi após un 10 ou 15 minutos.
Terminamos a noite num Club chamado Danau, isto é, terminei eu porque eles getilmente acompanharam-me até ao metro e seguiram para outro club. Eu queria estar fresca para aproveitar ao máximo o próximo dia e dormir cedo. No entanto, mesmo com os meus pezinhos de lã, reparei ao entrar em casa, que Thomas pelas 1h30 da madrugada, ainda se encontrava acordado. Com isto conversamos ainda até às 3 da madrugado hora em que realmente me rendi ao conforto do sofá, o primeiro sofá que surfei! Duvido que pudesse ter sido melhor. Até a roupa de cama era igual às minhas em Praga. Impossivel sentir-me mais em casa. Tive uma santa e desancasa noite. Durmi como um anjo.
No dia seguinte, acordei com as galinhas. O tempo não era muito por isso há que cedo levanta e tarde deitar para aproveitar tudo ao máximo. Thomas deixou-me preparada pelo dia anterior, uma enorme mesa de pequeno almoço, como tudo o possível que possam imaginar. Pequeno-almoço de rainha. Tudo meticulasamente disposto na mesa, tudo decorado e pensado ao detalhe. De tudo, com medo de “estragar a beleza” apenas fiz um leite com chocolate. Comi duas ou três bolachas que tinha trazidocomigo, tomei um rápido duche e rumei ao metro. Decidi que ia começar o dia por um dos pontos mais longínquos até ao ponto mais central.
A aventura começou desta forma no Schloss Schonbrunn, antiga residência dos Habsburgos. Mesmo assim, não foi o assombroso palácio que mais impressionou mas os impressionantes bosques que o circundam. Vaguei pelos bosques pelo menos uma hora, encontrando um fonte aqui, uma estátua ali. Nos jardins pode-se perder um dia sem qualquer sombra de dúvida. Desde o Jardim Zoológico à Gloriette ou às Ruínas Romanas, a Orangerie passando pelas Estátuas mitólogicas, são centenas de pessoas que tiram as manhãs para correr por ali ou dezenas as famílias que escolhem aquele espaço para passarem um serão de domingo como era o caso. Um dos aspectos mais engraçados do bosque, é que são muitos os esquilos que se podem encontrar. Mas não se pense que são esquilos totalmente selvagens e esquivos. São esquilos que assim que sentem que alguém vai a passar no trilho pedestre, correm até nós, parando na nossa frente e colocando-se em duas patas nos miram com um ar intimidante: “Onde está a minha nóz?”. Confesso. Até me senti envergonhada por não ter trazido nada comigo e quem sabe as bolachas de chocolate não iam criar um pequeno problema no sistema digestivo destes pequenos roedores? Mais tarde vi como funciona: um pequeno batia duas nozes uma na outra. Este é o chamamento. Os roedores respondem com um: “Dá cá isso e volta sempre”. Muito muito engraçado. Vou sempre lembrar-me dos esquilos de Schonbrunn.
Após uma manhã quase toda “gasta” no Schlos Schonbrunn sigo com o metro até Karlsplatz onde vejo o Edíficio da Secessão que recordo ter estudado nas aulas de História da Arte ainda à menos de um ano.

Magnifíco. Um edíficio cubista desenhado por Joseph Olbrich em 1897 fruto do manifesto secessionista. Durante a II Guerra Mundial o seu interior foi saqueado e o edíficio deixado ao abandono mas mais tarde na década de 70 foi reabilitado pela Arte Nova. Representa a pureza e o funcionalismo. Um outro interessante facto sobre o edíficio é que quando foi terminado, as pessoas olhavam-no com desprezo e horror sendo até comparado a uma “estufa” ou a uma “casa-de-banho pública”, um atentado ao bom gosto. Hoje é um distinto representante da Arte Nova vienense a que os vienenses orgulhosamente chamam de “couve dourada”. Obrigado pelas aulas de História da Arte Prof. Dr. Fernando Amaro!
Ao lado podemos ver também uma estátua de Marco António sobre um carro puxado por leões. A arquitectura vienentense é magnifica e fico encantada pelas ruas por onde passo guiada pelo meu mapa e que me fazem percorrer a pequena distância que existe entre o Edíficio da Sucessão a Universidade Técnica de Viena e… o fenomenal Karlskirche.

A mais linda igreja que já visitei até hoje (catedrais não contam!). Uma Igreja barroca contruída entre 1715 e 1737 em honra de S. Carlos Barromeu o santo padroeiro da luta contra a peste, como sinal de gratidão por Viena ter sido libertada da peste epidémica de 1713 que ceifou 8000 vidas.
Penso que desta igreja devo ter umas 20 fotografias só do exterior e umas 40 do interior, sendo 20 só das pinturas no tecto.
Só a sua entrada é descomunal: no centro existe uma enorme escadaria e por cima um frontão suportado por seis pilares. As colunas são instiradas na antifa coluna romana de Trajana e decoradas com cenas da vida de S. Carlos Barromeu. A coluna esquerda ilustra a perseverança e a direita a coragem. Se pensam que o exterior é o mais interessante esperem até ver o interior. Agora eu sei que tive muitissíma sorte pois os frescos tinham acabado de ser repintados e por este motivo, existia uma escadaria e imaginem, até um elevador, para nos levar ao topo do Igreja. Lugares inacessíveis ao mais comum dos mortais. Todos os frescos eram lindissímos. No final, no ponto mais alto da cúpula no centro de uma roda de anjos um símbolo: uma pomba branca. Pomba que quase ninguém tem a oportunidade de ver. Sinto-me uma sortuda.
Ainda estonteada pelo Karlskirche aventurei-me pelo tram número 2 que faz a volta ao ring pelos locais mais importantes de Viena.
A minha próxima paragem teve obrigatoriamente que ser o impressionante Stephansdom que andava ansiosa por visitar desde o primeiro momento em que o vi na noite em que cheguei. E por onde começar a descrição deste incrível sitio. A Stephansdom fico no coração de Viena e é com certeza o mais lindo edíficio gótico austriaco. Após a visita grátis ao seu interior onde ainda se podiam avistar os folhetos com as notas e as letras da música cantada na missa de domingo poucas horas atrás. Enquando admirava o seu interior reparei que daí a dois minutos haveria uma visita guiada ao interior das Catacumbas que datam de 1732 e onde estão sepultadas mais de 11000 pessoas. Além de muitos ossos amontoados como forma de economizar espaço, as outras “atracções” das catacumbas é o local da Cripta onde jazem alguns dos Duques, Bispos, e os restos mortais dos Habsburgos. A visita foi feita por uma guia meio nervoso e convencido que demorou pouco mais de 10 minutos e ao qual ainda tive que sorrir e pagar 4.50€ no final.

Ainda não safisteita, dirijo-me à torre para visitar o Telhado de Azuleijos tão famoso pelas suas cores e mais de 250000 azulejos com o brasão Habsburgo origianmente construído em 1490 e restaurado mais tarde após um incêndio durante a II Guerra Mundial. Uma vista magnifíca lá de cima. Sem contar que se demoram apenas 30 segundos no antigo elevador, que também ele parece da II Guerra Mundial e que cheira-me, já deixou o bilheteiro – que cobra as pessoas que querem visitar o cimo da Igreja – que passa a vida num sobe e desce, encurralado algumas vezes.
Com o vento sempre a estragar-me o penteado, decido sentar-me numa zona mais resguardada no cimo do edíficio, após mais um par de dezenas de fotos, e enviar uma mensagem ao meu próximo Couch Surfer, o Flo. Combinamos encontrar-nos daí a uma hora e pouco. Para fazer tempo passo uma vez mais por Hofburg e detenho-me no Monumento a Maria Teresa de fronte para o Kunsthistorisches o o museu de História Natural.
O tempo voou e Flo já estava em frente ao Museu da Sissi onde nos combinamos encontrar. Relativamente baixo, cabelos castanhos e olhos intensos azuis. Diferente do que esperava. Seguimos para um café ali perto. Finalmente, abrigada do vento e no quentinho daquilo que me parecia um café muito chique e fino, peço uma água e o tradicional Sachertort. Grande, apetecível, um pouco enjoativo e caro.
Flo teve uma namorada portuguesa. Isso não significa nada, mas ficariam surpresos ao ouvi-lo a falar português! Um dos mais doces falares português que já ouvi até hoje! E nem as expressões caracteristicas dos portugueses lhe escapam. Não é um português correcto mas é um português corrente! Falamos mais ou menos uma hora em português. Depois tivemos que voltar para o Inglês. Há mais de um ano que ele não falar português. Estava cansado de fazer força para o falar agora. Concedi-lhe 30 minutos em inglês e depois voltamos novamente à carga. Falamos umas duas horas e depois prometi sair na estação de metro perto da sua casa por volta da hora de jantar. Tinha ainda que ir a casa do meu anterior CouchSurfer buscar a minha mala, despedir-me e agradecer. E que agradável surpresa me aguardava…
Quando cheguei a casa do Thomas para ir buscar as minhas coisas, esperava-me ele na cozinha enquanto cozinhava alguns bolinhos para eu levar comigo. E que bolinhos…!

Um gesto que achei muito simpático e não vou esquecer!
Depois de mais uma hora a falar-mos, comer uns bolinhos e tirar umas fotos rumei então a casa do Flo. Pequena mas muito agradável!
Estava cansada nessa noite e pela personalidade do Flo, compreendi que aquela noite era perfeita para simplesmente ficar em casa a conversar, comer qualquer coisa enquanto ele tomava o seu copito de vinho. Tempo de relaxamento e partilha de experiências… e em língua portuguesa!
No dia seguinte Flo iria trabalhar cedo e seria o último dia para mim em Viena. Acordei com ele e assim que saiu para o trabalho, eu saí para um longo dia de passeio. Dia esse que começou com algo que ansiava há muito tempo: a casa de Hundertwasset.

Viena é igualmente conhecida pelos seus inúmeros parques. No meu último dia dei longas e relaxantes passeios por alguns deles, onde até outros Portugueses ajudei com orientação – encontram-se realmente portugueses em todos os recantos do mundo – a começar por Stadtpark, passando por Belvedere, Hofburg, uma visita ao verdadeiro Rio Danau, the Vienna International Centre e Nações Unidas, Parlamento, Rathausplatz e Sigmund Freud Park.
Por aqui fiquei numa simpática pastelaria com dezenas de bolos à escolha, a deliciar-me com um deles e uma águinha áustriaca. Ali aguardei com os meus dois Hosts, onde nos iriamos encontrar para jantar.

Assim foi, jantamos num sítio indicado por um outro amigo meu que já havia estado em Viena. Dissera-me que realmente não podia a oportunidade de lá ir. Era um restaurante paquistanês, self service, onde podiamos comer aquilo que quisessemos e pagar no final, aquilo que achassemos justo. Brilhante! Pessoalmente não achei a comida nada de extraordinário. Há comidas que gosto: como é o caso da chinesa ou da libanesa. Porém, esta não estava ao meu gosto, mas claro, que comi um pouquinho. Achei justo pagar 8€, por estar na cidade em que estava (e porque não queria passar por portuguesa suvina) e daí despedimo-nos de Thomas e rumamos a casa. Já no autocarro ou comboio, já nem me recordo vejam lá o meu estado, comecei a sentir-me estranha. Foi o princípio de uma longa noite… Aquela que seria a minha última noite em Viena, e que deveria ser memorável, foi-no sem dúvida, mas pelos piores motivos… Um intoxicação alimentar. A cada hora, tive que apressadamente ir a correr para a casa de banho. Vómitos e diarreia sem parar. O mais estranho, é que a Thomas e ao Flo nada aconteceu. Apenas comigo e comemos o mesmo. Foi uma noite horrivel onde só consegui dormir lá para as 6 da manhã e às 7 me despedi do Flo que ia trabalhar, para às 8h tentar sair de casa. A única coisa que consegui comer eram clementinas. Passei num supermercado para comprar algumas e o cheiro do próprio supermercado causou-me de tal modo nauseas, que tive que me sentar nos degraus de entrada. Quando cheguei para pagar, ninguém estava na caixa. Os 2 minutos que esperei, jurava que ia desmaiar. Consegui aguentar até que o homem da caixa chegasse, olhei-o com a maior raiva do mundo e voltei a sentar-me desta vez nos degraus do metro. A minha mochila devia pesar uns 15kg, estava quase imobilizada pelo peso da mala (que é normal) totalmente condicionada pela minha fraqueza. O meu objectivo era apenas, chegar à plataforma da StudentAgency em Praterstern. Arrastando-me pelas linhas do metro, ainda assim, cheguei cerca de uma hora antes da partida. Sentei-me no banquinho de espera do autocarro, e apenas respirava fundo, como se todo o ar fresco me limpasse o corpo e a alma e levasse tudo de mau. Sentia-me muito mal em espaços fechados e com odores ambundantes. Precisava mesmo de ar fresco.
Contudo, nem mesmo na paragem “tive sossego”. Duas filandesas chegaram à procura da mesma plataforma. Disse-lhes que era aquela. Precisava de comprar uma água, e elas gentilmente guardaram a minha mala que pesava uma tonelada enquanto comprei uma água – com a sorte que tenho, tinha que ser uma com gás, que eu detesto… – voltei e falamos um pouco. Apresentá-mo-nos, elas foram tão simpáticas que até me forneceram comprimidos contra a diarreia, etc. Eram duas irmãs, uma delas era ERASMUS em Viena e vinham agora visitar Praga durante o fim-de-semana. Que injustiça! Só um fim-de-semana para Praga! Finalmente chega o autocarro e descobrimos que ficamos juntas no autocarro. Seguimos dali até Brno. Felizmente não tenho ninguém ao meu lado e a viagem torna-se mais ou menos suportável. Pelo menos não vomitei. Ainda por cima, tinha o cheiro horrível da comida paquistanesa totalmente entranhada no meu casaco. Chegadas a Brno, esperamos 10 minutos para entrar no último autocarro até Praga. Duas horas depois, dizemos adeus e peço-lhes desculpas por não estar em condições para lhes ajudar a encontrar o seu Hotel ou mostrar-lhes um pouca da minha Praga.
Chegada a casa, sã e salva, doente e exausta, excusado será de dizer que dormir o resto do dia.
Mais uma aventura, dentro da grande aventura que é ser Erasmus no Leste Europeu.